Voo Curitiba – Florianópolis, 00h45. Estamos chegando em Floripa e, no horizonte, víamos os raios da tempestade que se aproximava. Pela janela, aquela escuridão típica de quando sobrevoamos o mar. Na fileira ao lado, um casal não esconde a apreensão diante da turbulência que obrigou os comissários a cancelarem o serviço de bordo. Atento a tudo e mal humorado porque o carrinho da barrinha de cereal não chegara até a nossa poltrona, Luquinhas pergunta:
- Mãe, o mar tá lá embaixo ?
- Está, Lucas.
- E o avião está descendo ?
- Está, Lucas.
- Ué, e se ele pousar no mar a gente vai se afogar, é ? – indaga, com sua tradicional voz de megafone e com uma tranquilidade cortante.
Olho para o lado. O casal de idosos está ainda mais assustado e apreensivo.
- Calma, meu filho, não tem problema. Se pousar no mar, a gente tem bóia.
- Ih, mãe, mas não vai adiantar nada. Bóia só funciona na piscina. No mar, afunda.
Eu nem olhei para os velhinhos. Luquinhas é, definitivamente, o nosso Baixim pós-moderno.