Acabo de ler Cordilheira, de Daniel Galera. O livro é interessante e estampa na capa o selo de melhor romance de 2008, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional. O começo é meio morno, mas depois a narrativa engata e acende a nossa curiosidade para saber o final de uma história cheia de referências e muito calcada na metalinguagem o que, para alguns, pode até ser um defeito mas que eu, particularmente, gostei. Há passagens interessantíssimas, como quando, no lançamento de seu livro na Argentina, Anita, escritora e personagem principal da história de Galera, desdenha – intimamente – das interpretações e comparações da tal crítica literária renomada convidada para o debate. Creio que não demora muito para alguém levar a obra para o cinema.
No entanto, não vou fazer resenha do livro, nem matéria sobre. Para isto, sugiro que leiam Ubiratan Brasil, Luiz Zanin, Eduardo Simões e tantos outros. O que queria mesmo era destacar um trecho e compartilha-lo aqui. Espero que gostem. Lá vai:
Nascemos com um prazo limitado para interpretar o mundo. Fazemos o que podemos. O legado de todos que nos precederam nesse esforço pode ajudar ou confundir, e, em última instância, ninguém prova nada. Atribuir um propósito superior a um lance qualquer da vida é construir uma ficção muito pessoal. Dar sentido ao mundo é um ato criativo. Uma visão de mundo é uma narrativa.