Estamos de férias e Lucas me acorda às 7h30 da manhã:
- Bom dia, mamãe, é meu aniversário !!!!!!
Eu sei. Ele faz cinco anos hoje e comemora o fato de, agora, estar apto a ser matriculado na escolinha de futebol. Esta é a idade mínima para ingressar no time do clube que funciona ao lado de nossa casa. Ele tem planos traçados: vai jogar no Inter e no Santos. Há menos de três meses, era no Inter e no Cruzeiro. E assim vai enchendo a sua cabecinha de sonhos.
Durante a semana, fez-me prometer que, como presente, nesta sexta permitiria que jogasse bastante no computador. Seu jogo preferido é de futebol – claro – e narra com entusiasmo cada gol que marca, já apontando para uma outra vocação (quem sabe ?)
Hoje é dia 30 de julho. Há cinco anos, nesta mesma data, o Luquinhas nascia. Prematuro, não chorou e sequer pode vir para os meus braços em suas primeiras horas neste mundo esquisito – e quase foi vítima de um erro médico. Não lembro de nenhum momento tão difícil, não o amamentei de imediato, não o acariciei, o vi ser levado às pressas do centro obstétrico para sei lá onde, ninguém me explicou nada….. Talvez por isso todos os 30 de julho sejam, para mim, sinônimo de fé na vida.
Meu pequeno leonino não me deixa esquecer seu aniversário. Mas também me faz lembrar que seu sorriso, sua timidez, suas gargalhadas, seu jeitinho estabanado, seu medo do escuro e até mesmo suas lágrimas manhosas estão entre as coisas mais importantes do meu dia. Todos os dias. Diariamente. Como a celebração de sua existência.

